Coldplay: despreparado e pequeno para os estádios brasileiros

3 03 2010

Chris Martin

Talvez o show na pista VIP e na área de imprensa tenha sido diferente, tamanha a euforia das resenhas publicadas até agora. Quem esteve na pista normal não teve muitos motivos para ter saído satisfeito após a apresentação do Coldplay, nesta última terça-feira, no Morumbi. Inicialmente, porque a qualidade de som foi péssima. Volume baixo, instrumentos embolados, plateia desinteressada, tudo jogou contra a performance do quarteto inglês.

Culpa da própria banda. O setlist começou quente, queimando hits do porte de “Clocks“, “In My Place” e “Yellow” na primeira parte do show. Com o som péssimo e o público ainda entrando e se ambientando ao estádio, a tática de ganhar a plateia logo de cara e depois ir só cozinhando o show, que se permite inferir do formato do repertório, desmoronou. Pela primeira vez, presenciei um público vaiar a banda principal e pedir que se aumentasse o volume. Continue lendo »

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Megalomaníaco, Flight 666 não acresce nada

25 04 2009

Documentário sobre turnê do Iron Maiden traz pouca informação relevante e bastante música do grupo

Documentário sobre turnê do Iron Maiden traz pouca informação relevante e bastante música do grupo

Documentário, segundo o Wikipedia¹, é o gênero literáriro que se preocupa com a exploração da realidade. Em Flight 666, Sam Dunn e Scott McFayden se propuseram a mostrar uma turnê grandiosa e curiosa do ícone do heavy metal, Iron Maiden. Durante seis semanas, o grupo inglês percorreria o mundo todo à bordo de seu próprio avião, o Ed Force One, comandado pelo seu vocalista, Bruce Dickinson, também piloto nas horas vagas, realizando 22 shows.

Que se tratava de uma tarefa hercúlea para a banda, não há como negar. Porém, para quem conhece a praxe megalomaníaca do Iron Maiden, mais difícil ainda seria que os realizadores de Headbanger’s Journey e Global Metal conseguissem fazer do documentário algo mais do que uma simples bajulação à mania de grandeza do empresário Rod Smallwood e seus comandados. E, nessa função, os cineastas falharam bisonhamente.

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Em meio ao dilúvio, Opeth, o bárbaro, conquistou São Paulo

8 04 2009

opeth2

Mikael Åkerfeldt: bom humor e camisa do Conan

Um dilúvio castigava São Paulo na tarde do domingo em que o Opeth faria sua primeira apresentação em terras brasileiras, divulgando o último álbum, Watershed, de 2008. A banda, extrema na dificuldade de ser rotulada e, por isso, apreciada, atraiu quase a completa lotação do Santana Hall, algo inacreditável tanto para quem acompanhava a falta de interesse da mídia tupiniquim pelos suecos na ocasião do lançamento de seus trabalhos cruciais Still Life (1999) e Blackwater Park (2001), quanto pela escassa discografia lançada por aqui.

Tamanha chuva, porém, gerou alguns contratempos. O primeiro foi enfrentar os alagamentos na região norte da capital paulista, onde se encontra a casa. Apesar de não ter presenciado pessoalmente, ouvi relatos de que a fila da entrada no show teria atravessado o meio da correnteza da água da tempestade. Ainda havia algumas goteiras no próprio palco. A qualidade de som estava boa, apesar de já ter presenciado o Santana Hall em melhores dias, o que é uma pena, dado o minimalismo da música do Opeth exigir um som cristalino.

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Death Angel e Armored Saint: nada a dever aos gigantes do Metal

19 03 2009
Death Angel

Death Angel

Uma aula de Metal. Assim podem ser definidas as apresentações de Armored Saint e Death Angel no último domingo, 16 de março, em Perth, Austrália. Os shows marcaram o final da bem-sucedida turnê conjunta das bandas pela Oceania, a qual passou também por Brisbane, Melbourne, Sydney e Adelaide.

O pequeno público já se aglomerava na porta do The Capitol às sete e meia da noite. O local abriga eventos underground e já recebeu grupos como Opeth, Morbid Angel e outras lendas do Metal. O visual oitentista dava o tom da noite, com calças jeans, tênis brancos, camisas pretas e jaquetas jeans cheias de patches de bandas esquecidas por muitos e cultuadas por poucos, casos de Abattoir, Cirith Ungol, Picture etc. Continue lendo »





Alice In Chains e Nine Inch Nails comandam o Soundwave Festival

9 03 2009
Jerry Cantrell do Alice In Chains

Jerry Cantrell do Alice In Chains

Os leitores do Solada com mais de 18 anos se lembrarão de uma época no Brasil em que os megafestivais faziam a festa dos fãs de Rock. Tivemos Rock In Rio, Hollywood Rock e, na década de noventa, o Monsters Of Rock – os três trazendo atrações de ponta apesar de, às vezes, de gosto pra lá de duvidoso.

Com os novos rumos tomados pela indústria fonográfica, pelo menos no exterior os tradicionais grandes festivais se mantiveram e alguns se fortaleceram. Desde Wacken (Alemanha), Sweden Rock Festival (Suécia) e Pinkpop (Holanda) até os mais recentes, como Download (Inglaterra), Hellfest (França) e Soundwave (Austrália), todos vêm ganhando força e atraindo cada vez mais artistas e público. É uma ótima oportunidade para bandas novas se apresentarem para mais gente, e para bandas de médio e grande porte tocarem em lugares que, sozinhas, jamais seriam capazes de lotar. Continue lendo »





Cativante, Anneke mostra que há muita vida após o Gathering

8 03 2009

annique21Se restava alguma dúvida de que a vocalista Anneke van Giersbergen teria sucesso com uma nova empreitada, após deixar quase 15 anos de trabalhos com The Gathering para trás, não foram as pouco mais de duzentas pessoas presentes na sempre absurdamente quente casa paulistana Hangar 110 as responsáveis por confirmar. Porém, ao subir no palco com o Agua de Annique, exatamente às 21h45 de um sábado fresco após uma semana de calor infernal, a cantora holandesa atraiu todas as atenções e nem o pouco público nem a péssima estrutura do local mais importavam.

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Global Metal: Metal teria ganhado força no Brasil com fim da ditadura

4 02 2009

gm_posterApós o sucesso de Metal: A Headbanger’s Journey (2005, lançado no Brasil apenas em 2007), o antropólogo, documentarista e headbanger de carteirinha, Sam Dunn, e seu parceiro Scott McFayden, partiram para uma viagem ao redor do mundo para continuar sua “jornada pelo universo do Heavy Metal”. O resultado é o ótimo Global Metal, lançado em 2008 no Canadá, mas que, por enquanto, não deu as caras por aqui.

Se o primeiro documentário agradou aos fãs de Heavy Metal por retratar o gênero com o devido respeito pela lente de um verdadeiro headbanger, por outro lado, não agregava muita informação aos já iniciados no universo do Metal. Global Metal, por sua vez, é pura novidade e mostra como os metalheads que vivem fora dos Estados Unidos e da Europa interpretam a música pesada.

Segundo Sam Dunn, depois de Metal: A Headbanger’s Journey, ele recebeu diversas mensagens de fãs de todas as partes do mundo e descobriu que existia Heavy Metal em locais onde nem imaginava. Continue lendo »