Cativante, Anneke mostra que há muita vida após o Gathering

8 03 2009

annique21Se restava alguma dúvida de que a vocalista Anneke van Giersbergen teria sucesso com uma nova empreitada, após deixar quase 15 anos de trabalhos com The Gathering para trás, não foram as pouco mais de duzentas pessoas presentes na sempre absurdamente quente casa paulistana Hangar 110 as responsáveis por confirmar. Porém, ao subir no palco com o Agua de Annique, exatamente às 21h45 de um sábado fresco após uma semana de calor infernal, a cantora holandesa atraiu todas as atenções e nem o pouco público nem a péssima estrutura do local mais importavam.

Anneke continua com sua performance carismática, conforme as poucas testemunhas do show do Gathering em São Paulo três anos atrás puderam conferir. De espontaneidade e simpatia ímpares, a vocalista ainda parece uma amadora no palco, no bom sentido: alegra-se com qualquer reação de seu público, chega a ficar até corada com as inúmeras declarações de amor – de marmanjos ou não, e cada resposta efusiva da plateia à sua música gera uma felicidade contagiante estampada em seu rosto. Ah, e ela canta. E como…

Os músicos que a acompanham em sua banda demonstram competência. O baixista Jacques de Haard corre de um lado a outro do palco e não para quieto durante toda a apresentação. Na bateria, surpreendia o bumbo duplo, mas Rob Snijders dá mais peso ao vivo às músicas do disco de estreia, Air, algo muito bem vindo. A performance meio pós-punk do Joris Dirkis é mais introvertida, porém o guitarrista magricelo é dono de uma voz boa o suficiente para não fazer feio diante de Anneke, e essencial na execução dos inusitados covers de “Scorpion Flower” do Moonspell e “Digging the Grave” do Faith No More – nem ao reproduzir os berros de Mike Patton a vocalista perde a classe.

annique11Além dessas músicas, o repertório primou por tocar, entre algumas novas faixas, quase todo o disco Air, com destaque para uma versão bem mais pesada de “My Girl”, a cativante “Witnessess” e “Sunkens Soldiers Ball”, com Anneke, sentada no teclado, cantando de forma sublime a melodia de metais no meio da música. Para os fãs do Gathering, o grupo executou “Alone” e a vocalista, sozinha no palco com seu violão, mandou a belíssima “My Electricity” – “Come Wander With Me” fez falta nessa hora.

Quando Anneke fez a óbvia dedicação ao público antes de tocar a vibrante “You Are Nice!” e encerrar a noite, o show de 75min não fora suficiente para responder à pergunta inicial acerca do futuro da banda – mesmo que as canções reproduzidas de Air tenham recebido uma ótima participação do pequeno público, provavelmente devido à venda casada do álbum com o ingresso. O Agua de Annique apenas mostrou que a vocalista, agora, soa mais confortável comandando o seu destino musical. E parece estar no caminho certo.

Por Thiago J. Z. Martins (texto e fotos)


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11 responses

8 03 2009
Diego Camara

Acho que as dúvidas a cerca da Anneke enquanto vocalista apenas partem dos fãs da cena do Metal.

No meu ver o trabalho dela tanto com o Agua de Annique quanto no projeto Ayreon demonstram que ela está melhor do que nunca, e para mim, continua sendo uma das melhores vocalistas que eu conheço.

8 03 2009
F!

Que essa mulher é fantástica, não há dúvidas.
A maioria do público que prestigiou o evento curte The Gathering e apoia os trabalhos de Annie, deve-se a isso a massiva participação do público durante o show.

8 03 2009
samir

puxa, saiu rápido a review, e, devo dizer, foi muito fiel ao que é a Anneke… “parece uma amadora no palco, no BOM sentido” foi perfeito, pois ela é extremamente competente como vocalista, ela interpreta as canções de forma muito emocional, mas ela é também despojada, com aquela atitude “rock’n’roll”, que parece até destoar de seu estilo todo sensível… mas, espantosamente, não destoa, faz pleno sentido… e isso reflete no som, variado e de extrema personalidade… (o “Air”, por ex, é perfeito, juntando aquele ‘quê’ de Gathering com o toque pessoal e pra lá de especial da Anneke, ainda mais livre)

o show de 2006 me deixou uma ótima impressão, ela é apaixonante, e a banda dispensava apresentações… mas neste retorno dela, o SOM do Hangar estava muito bom, e a maior proximidade com ela e os demais integrantes escancararam ainda mais todos os – pra lá de positivos – aspectos que citei… SUBLIME!

9 03 2009
Thiago Lermont

Ahhhhhhhhhhhnneke. Linda, carismática, ótima cantora.

9 03 2009
tiagón

pô, fiquei me babando aqui pra ver o show😦 nem sabia que o Gathering tinha passado por SP. inveja dupla e retroativa de morar no RS.

…pra mim é a melhor voz do metal. ainda que Gathering não fosse bem metal, e hoje menos ainda. e fiquei feliz de constatar que o carisma todo que se nota aqui e ali, de longe, se reproduz verdadeiramente.

(também conhecido como CASAVA NA HORA)

~~~

o/ valeu!

10 03 2009
Leôncio Farias

Quem fraga Ayreon e respeita o faro de Arjen sabe que não existe nenhuma voz como a de Anneke hoje em dia. Sem contar seu carisma e sua perfomance em palco.

10 03 2009
Gustavo Garcia

Caro Thiago,

Aqui quem escreve é o Gustavo, da Overload Records, empresa que organizou os dois shows do Agua de Annique no Brasil.

Estou escrevendo apenas para questionar quais são os motivos que o levaram a escrever que o Hangar 100 tem “péssima estrutura”… Não tenho procuração para defender o Hangar, mas enquanto produtor, gosto muito de trabalhar com eles.

O pessoal da casa é muito solícito, eles possuem bons equipamentos atualmente (por exemplo caixas Marshall para guitarra e cabeçote de baixo Ampeg), o som no show do Agua de Annique estava ótimo, o bar tem preços justos, o local fica próximo a uma estação de metrô (e os shows costumam acabar antes da meia-noite exatamente para o pessoal poder usar esse transporte público), o público tem a chance de ver shows bem de perto… Você pode argumentar que a temperatura realmente fica alta lá dentro ou que o visual da casa não é igual a um Via Funchal da vida, mas nada que justifique chamar de “péssimo” um local tocado por gente honesta, que já sediou muitos shows lendários e que carrega o verdadeiro espírito rock n’ roll.

Lembre-se… Falar é fácil… Ter a coragem de investir num local para shows como esse, isso sim é difícil.

Abs,
Gustavo

12 03 2009
Diego Camara

@tiagón

Anneke não faz mais parte do The Gathering há um bom tempo…

12 03 2009
Jaqueline Lasko

Sinceramente não posso negar que o Hangar 110 estava muito quente… sem contar a dor no pescoço que carrego há 5 dias justamente porque estava na frente dela ao palco… sem grade! Mas com certeza, não acho que o ambiente desagradou o público… o som estava bom o suficiente para colocar a galera a ponto de colápso. Fui ao show do The Gathering em 2006 — foi simplesmente maravilhoso, mas sentir aquela energia toda de Anneke tão próxima dos fãns com o Agua de Annique sábado, foi contagiante!

12 03 2009
Thiago Martins

Diego, não creio que haja dúvidas quanto à Anneke como vocalista em cena alguma! A empreitada é ela sair de uma banda muito ligada ao circuito metal para tentar um som com outro tipo de ambiente, muito mais solto e aberto às demais influências. Gostaria de saber como o projeto em si teria sucesso por aqui. Pela quantidade de público, fico triste. Tinha potencial para muito mais do que isso.

F!, por mais que ache que a maioria do público era mesmo fã de Gathering e da Anneke, até porque se não fosse assim dificilmente teria acesso ao trabalho do Agua de Annique, a produção foi bem em fazer a “venda casada”, pois a resposta do público a praticamente todas as músicas novas foi até maior que às da ex-banda dela tocadas. E, para mim, é claro que uma coisa se liga à outra.

Quanto à proximidade do público à banda, é sempre bom. Mas não creio que isso seja uma tática da produção do show tanto quanto talvez uma necessidade pela pouca expectativa de presentes, o que é uma pena. Não sei se eu não preferiria que o Agua de Annique tivesse uma vendagem maior e voltasse ao país com mais frequência, a Anneke merecia muito mais repercussão com sua banda nova.

Gustavo, quanto ao seu comentário, acho que a discussão é mais profunda e não se resume ao show do Agua de Annique e ao Hangar 110. Vamos levá-la a um novo post, e convidamos você a participar dele.

12 03 2009
Alexandre Siulfe

No quesito ” ESTRUTURA” concordo que a casa não é um Via Funchal da vida, mas que podemos lá assistir grandes apresentações podemos SIM!Sempre ouvi falar da qualidade das apresentações que ali estiveram e da interatividade que ocorreu entre público e artista. Quando fui assistir ao Circle II Circle {quando adentrei a casa estava passando o Kiss no telão} não tive de fato uma boa impressão do ambiente porém quando começou o show entendi o que me falaram do local e do que li na Brigade e Stay Heavy {sobre o show do Tankard} e outros meios de comunicação e absorvi a energia daquele local sim humilde, mas que me proporcionou o melhor show do ano de 2008 não só por causa da qualidade da banda que lá se apresentava e do som nitido que escutei, mas também por conta do clima do ambiente, uma energia sadia. E digo que vi naquele ano Scorpions e WhiteSnake {ao lado do KISS minhas bandas eternas}, Iron, Ozzy, Cult, Satriani entre outros. Enfim concordo com o produtor que indica prós a utilização do espaço para shows e no fundo penso que seus responsáveis fossem pessoas de má fé tenho a certeza que o clima da casa não seria tão positivo como eu senti; e havendo lá outro show que me chame a atenção não relutarei em ir. OBS.: E não conheço ninguém lá do Hangar.
Felicidade a todos.

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