Alice In Chains e Nine Inch Nails comandam o Soundwave Festival

9 03 2009
Jerry Cantrell do Alice In Chains

Jerry Cantrell do Alice In Chains

Os leitores do Solada com mais de 18 anos se lembrarão de uma época no Brasil em que os megafestivais faziam a festa dos fãs de Rock. Tivemos Rock In Rio, Hollywood Rock e, na década de noventa, o Monsters Of Rock – os três trazendo atrações de ponta apesar de, às vezes, de gosto pra lá de duvidoso.

Com os novos rumos tomados pela indústria fonográfica, pelo menos no exterior os tradicionais grandes festivais se mantiveram e alguns se fortaleceram. Desde Wacken (Alemanha), Sweden Rock Festival (Suécia) e Pinkpop (Holanda) até os mais recentes, como Download (Inglaterra), Hellfest (França) e Soundwave (Austrália), todos vêm ganhando força e atraindo cada vez mais artistas e público. É uma ótima oportunidade para bandas novas se apresentarem para mais gente, e para bandas de médio e grande porte tocarem em lugares que, sozinhas, jamais seriam capazes de lotar.

Entrada do Soundwave Festival

Entrada do Soundwave Festival

Sendo assim, fui conferir a edição 2009 do Soundwave na segunda-feira, 2 de Março de 2009. O festival já havia passado por Brisbane, Sydney, Melbourne e Adelaide, e encerrava sua gira em Perth. Seis palcos espalhados pelo Steel Blue Oval abrigaram artistas das mais variadas vertentes do Rock, em uma festa que começou às 11:30 da manhã e foi acabar por volta das 10 da noite.
Infelizmente, não consegui chegar a tempo para acompanhar as primeiras bandas e imagino que tenha perdido apresentações muito boas. O primeiro show que vi foi do Anberlin: Poppy Punk com letras evangélicas, que sinceramente não empolga muito. Então, passei pelo show do The Red Jumpsuit Aparatus. Ótimos instrumentistas e riffs cheios de garra, mas  um vocalista que simplesmente não está aos pés dos demais integrantes. Em determinado momento, ele perguntou ao público: “e aí, vocês querem ouvir uma música nova nossa ou um cover?”. Quando a maioria votou pelo cover, deu até pena, e desisti do show imediatamente.

Dave Knudson do Minus The Bear

Dave Knudson do Minus The Bear

A próxima banda que vi foi o Hellogoodbye, destacando-se por visual e som calcados no Weezer – pense em letras “engraçadinhas”, camisas xadrez e óculos de aro grosso -, e uma formação ambiciosa contando com três guitarras, teclado e bateria. Não deu liga, e optei por conferir o Minus The Bear. Confesso que só fui procurar esse grupo porque achei o nome engraçado, contudo, o quinteto de Seattle me surpreendeu bastante. Pop Rock moderno a lá The Killers e com instrumentistas de primeira. O guitarrista David Knudson tira belas melodias de sua guitarra, com arranjos de tapping ao melhor estilo Stanley Jordan. Alguns samplers criativos e tempos quebrados dão um molho especial à boa salada preparada por eles.

A seguir fui ver a minha maior surpresa nesse festival, o The Dillinger Escape Plan. Após várias mudanças de formação, e com apenas um membro remanescente da formação original [N. do E.: o guitarrista Ben Weinman], o quinteto parece estar mais coeso que nunca. Comandados pelo vocalista Greg Puciato, eles agitaram com um Metalcore cheio de ritmos quebrados, vocais guturais e solos velocíssimos. Destaque para os dois guitarristas, que mesmo subindo nas caixas de som e agindo como loucos, não perdiam uma nota ou tempo sequer. Quem já conhecia, saiu satisfeitíssimo, e quem os viu pela primeira vez, como eu, saiu falando “Que show foi esse???”. Na última música rolou ainda uma participação especial de Spencer Chamberlain, vocalista do Underoath, e um mosh sensacional de Ben Weinman, que foi parar no meio da galera e quase se machucou. Destaque para as músicas Sugar Coated Sour, Panasonic Youth e Crutch Field Tongs.

Bloodhound Gang

Bloodhound Gang

Assim que terminou o show do Dillinger, entrou em cena, no palco ao lado, o Bloodhound Gang. A escalação deles nesse festival é algo a se questionar, já que a maioria de suas músicas fundamenta-se em Ska e/ou batidas eletrônicas. Apesar de um pouco fora de contexto, a galera australiana pareceu curti-los. A inevitável The Bad Touch, até hoje a mais famosa do conjunto, empolgou os presentes, bem como Uhn Tiss Uhn Tiss Uhn Tiss (sim, esse é o nome da música!!) e Ballad Of Chasey Lane.

Logo depois, passei em frente ao show do Funeral For A Friend e rapidamente desisti de vê-los por constatar que eles são mais um grupo que soa exatamente como Fall Out Boy, My Chemical Romance e tantos outros por aí.

Uma pausa ligeira para tirar a água do joelho, e fui checar uma banda muito bem recomendada, o 36 Crazyfists. Assisti apenas às três músicas que concluíram o set, e valeu a pena. Os americanos do Alasca (e quem diria que no Alasca se toca Metal!?!?) comandaram o público no famoso “Wall Of Death”. Para quem não conhece, consiste-se basicamente na divisão da plateia em dois lados. Sob o comando do grupo, um lado vai de encontro ao outro, em rota de colisão, no maior estilo dos filmes de gladiadores. Suficiente para aumentar consideravelmente o número de atendimentos do posto médico local.

Cristina Scabbia do Lacuna Coil

Cristina Scabbia do Lacuna Coil

Então, chegara uma hora muito aguardada, a apresentação do Lacuna Coil. A banda, lançando seu quinto álbum de estúdio, Shallow Life (2009), fez um dos melhores shows do dia e subiu ao palco honrando suas raízes italianas, com um sampler da música-tema do filme O Poderoso Chefão. A voz de Cristina Scabbia e o entrosamento com o também vocalista Andrea Ferro fazem a diferença. Our Truth, Heaven’s A Lie e o novo single, Spellbound, pela primeira vez executado ao vivo, foram os destaques. No encerramento, um cover muito criativo de Enjoy The Silence do Depeche Mode.

William DuVall do Alice In Chains

William DuVall do Alice In Chains


Na seqüência, no palco dois, veio o Alice In Chains, uma das mais esperadas atrações do festival. Ressurgindo das cinzas, após a morte do vocalista Layne Staley, estes sobreviventes da onda Grunge provaram que ainda têm muita lenha pra queimar. O substituto de Staley, William DuVall, tem um jeitão que gravita entre Lenny Kravitz e James Brown, mas, por incrível que pareça, caiu como uma luva para o som da banda, dando a cada música interpretações próprias, pessoais, não se preocupando em repetir nota por nota as performances do antigo vocalista. O público vibrou e cantou cada verso de Angry Chair, Man In The Box, Them Bones, No Excuses, Would? e Nutshell, esta última dedicada a Staley pelo guitarrista Jerry Cantrell. Para o fechamento, o clássico Rooster e a promessa de voltarem em um futuro próximo com músicas inéditas.

Fechando o dia no palco principal, entrou o Nine Inch Nails, trazendo seu pesadíssimo Rock industrial, que por vezes se torna uma Ambient Music hipnotizante. Um arsenal de teclados dominava o cenário, e a iluminação fazia inveja a qualquer cerimônia de abertura de Olimpíada. Para se ter uma ideia do impacto desse show, logo cedo  circulavam alguns avisos sobre ataques epilépticos causados pelas luzes e pelo som alto da banda. O vocalista e faz-tudo Trent Reznor, como sempre, foi o centro das atenções e o set list teve, entre outras, Letting You, Discipline, Something I Can Never Have, March Of The Pigs e a raríssima Burn, da trilha sonora do filme Assassinos Por Natureza.

Nine Inch Nails

Nine Inch Nails

As últimas entrevistas de Reznor indicam que talvez o NIN encerre as atividades após uma turnê em 2009 com o Jane’s Addiction, o que tornou a ocasião ainda mais especial. O final apoteótico contou ainda com a participação de músicos do The Dillinger Escape Plan, numa simbólica “passagem do bastão” da antiga para a nova geração do Rock/Metal.

O grande porém de um evento como esse é o excesso de artistas que leva alguns shows a acontecerem simultaneamente, e obriga os fãs a lidarem com terríveis e crueis escolhas. Aliás, saí no meio do show do Nine Inch Nails porque não queria perder Lamb Of God e In Flames, que tocaram no palco quatro. Acabei pegando só as pancadas Redneck, Black Label e Dead Seeds do Lamb of God, que levaram a galera ao delírio. O vocalista Randy Blythe tem um gogó de respeito: conduz o show inteiro nos guturais e ainda agita incrivelmente até a última musica. Seu esforço, físico e musical, não é para qualquer um. Além disso, Randy provou ser um dos frontmen mais simpáticos e carismáticos do festival.

In Flames

In Flames


Encerrando a noite, entraram os suecos do In Flames, consolidando seu prestígio na Oceania. Na bagagem, um Metal modernoso, com as reconhecidas ‘twin guitars’ que criam harmonias incríveis, um batera certeiro e um set list fundamentado em discos mais recentes.

O vocalista Anders Fridén sofreu um pouco com problemas no som, no entanto, superou tudo com bom humor, conquistando os espectadores com comentários engraçados sobre a Austrália. Menções especiais a Colony, Take This Life, Touch Of Red e Crawl Through Knives.

O saldo do Soundwave não poderia ser mais positivo: infraestrutura impecável, segurança, organização, cast mais que qualificado. Em síntese, um dos melhores eventos do verão australiano.

Texto e fotos por Rodrigo Altaf

Soundwave: www.soundwavefestival.com


Ações

Information

8 responses

9 03 2009
Lucas

Que massa! Festival novo é sempre bom…. (como se eu fosse em algum desses né.. dãããããããrrrrrrrrr)

10 03 2009
samir

primeiramente, é muito bom ler uma matéria sobre um festival de rock tão eclético, e com alguns dos melhores nomes de diferentes vertentes como Dillinger, NIN, Alice In Chains, In Flames, Lacuna, Lamb… e, embora muitas das bandas citadas no começo não tenham parecido lá muito empolgantes, acho que até um show do Bloodhound Gang deve ser divertido conferir hehe

em segundo, fica a inveja hehehehe agora, qto ao fim do NIN, me parece outra daquelas balelas, e em pouco tempo deve estar retornado com turnê e CD… ou algumas iniciativas solo do Trent… não há o que temer, acredito… até pq, após cancelarem no ano passado, ele têm que retornar ao Brasil algum dia, pois nunca me perdoarei por perder aquele ‘Claro Que É Rock’, provavelmente um dos melhores festivais que o Brasil já viu (em termos de elenco)

10 03 2009
Thiago Sarkis

O Lüpüs Thünder, ex-guitarrista do Bloodhound Gang (saiu da banda em 2008), é fã de todas as vertentes de Rock que você possa imaginar, Samir. Fiz uma matéria sobre música e violênica após o assassinato do Dimebag, e um dos depoimentos mais sensatos foi justamente o dele.

Vou colocar isso on-line ainda, pois não saiu no Brasil.

11 03 2009
Elias-Viagem

Muito boa matéria, lindas fotos e excelente conteúdo. Simplesmente D+
Parabens pelo site.
Já mandei para alguns amigos

Vanessa

11 03 2009
Juao_Ak

Mt boa a matéria, mesmo mesmo, fico triste de existirem expeculações do fim do NIN sem nunca ter visto um show deles…=\

11 03 2009
Marcelo Seabra

Ficou elegante, Rodrigo! Essa dos avisos do NIN eu não sabia, bom levar um travesseiro preso ao pescoço pra evitar cair no chão e rachar a cuca. O Plano de Fuga do Dillinger tem um cover do NIN, a música Wish, gravado no disco Plagiarism.

Bjunda, rapá!

12 03 2009
samir

opa, Thiago, legal saber disso, publique sim… mas eu não falei ironicamente hehe… é que, infelizmente, não acho que o Brasil esteja preparado para um festival sequer com Alice e NIN (ia ter “metaleiro” indo embora)… muito menos com uma (grata) presença mais insólita como a o Bloodhound, ou até mesmo um Funeral For A Friend (odiável, mas torna o festival bastante eclético)…

hehe, sejamos honestos, nem um festival de Heavy Metal com real diversidade consegue ser feito sem duras críticas qtro às bandas participantes… triste…

8 06 2009
Budy

“…Funeral For A Friend e rapidamente desisti de vê-los por constatar que eles são mais um grupo que soa exatamente como Fall Out Boy, My Chemical Romance e tantos outros por aí.”

Rídiculo seu comentário, escute o som deles direito antes de julgar. Você mal ficou no show deles. Arff. Tem tantas bandas britânicas que são melhores que essas bandinhas americanas que vc citou. (y)

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