Designer gráfico de Bruce Dickinson justifica coincidência histórica

5 01 2009

Hugh Gilmour é um destes gigantes do design gráfico mundial. Há quinze anos em plena atividade no mercado, seus trabalhos podem ser observados em capas de CDs e DVDs, embalagens especiais, anúncios de jornais e revistas, ilustrações para camisetas, relançamentos, entre outros produtos, de clientes como Emerson, Lake & Palmer, Phil Collins, Led Zeppelin, The Kinks, Jeff Beck, Black Sabbath, Cliff Richard, Marillion, Whitesnake, Mott The Hoople, The Jesus And Mary Chain, Fleetwood Mac e Mick Jagger.

Another Fine Tune You've Got Me Into (1978 ) - Gilgamesh

Another Fine Tune You´ve Got Me Into (1978 ) - Gilgamesh

The Chemical Wedding (1998 ) - Bruce Dickinson

The Chemical Wedding (1998 ) - Bruce Dickinson

No decorrer da carreira que rendeu tão extenso e variado portfólio, nada deu maior projeção ao inglês que a longa parceria com Bruce Dickinson (Iron Maiden).

É de autoria dele a logomarca da Bruce Air, linha aérea que dá aos fãs a oportunidade de terem o lendário vocalista como piloto em viagens para shows do conjunto britânico. Isso sem falar em sua assinatura nas artes do DVD Anthology (2006), da compilação The Best Of Bruce Dickinson (2001), do registro ao vivo Alive In Studio A (1995) e dos álbuns de estúdio The Chemical Wedding (1998 ) e Tyranny Of Souls (2005).

© Duellist Enterprises Ltd.

© Duellist Enterprises Ltd.

O calcanhar-de-aquiles de Gilmour encontra-se justamente neste penúltimo lançamento que citamos, para muitos o disco que tornou inviável o não-retorno de Dickinson ao Maiden.

A pintura “O Fantasma de uma Pulga” (“The Ghost Of A Flea”) de William Blake presente na capa de The Chemical Wedding já havia sido utilizada pelo Gilgamesh, grupo setentista de Jazz, Fusion, Rock Progressivo, no LP Another Fine Tune You’ve Got Me Into (1978).

Gilmour foi contatado pelo Solada na semana passada e nos atendeu gentilmente, ainda que surpreso com a situação. “Eu não sabia desta capa do LP do Gilgamesh. Isso é muito interessante”, afirmou.

O imbróglio foi explicado por ele de duas maneiras. Na primeira, o desenhista falou sobre a relação de contínua influência e interação entre os profissionais de sua área. “Designers e artistas são inspirados e influenciados uns pelos outros o tempo todo”, explicou. “O problema é muito mais grave para alguém como Roger Dean (Yes, Asia, Budgie), cujas brilhantes ilustrações são reconhecidas e ligadas quase que imediatamente ao Prog Rock e, desta forma, acabam sendo utilizadas como uma espécie de estenografia visual”.

William Blake (1757 - 1827)

William Blake (1757 - 1827)

Em sua segunda consideração, o artista garantiu: “Eu e Bruce somos grandes admiradores de William Blake e não conhecíamos o álbum do Gilgamesh. Todas as imagens que utilizamos foram oficialmente licenciadas pela Galeria Tate de Londres, detentora dos direitos sobre elas”.

Músicos do Gilgamesh também foram procurados, mas não se pronunciaram. A banda encerrou atividades no final dos anos setenta. Dos membros que gravaram Another Fine Tune You’ve Got Me Into, os mais atuantes atualmente são Trevor Tomkins, lendário baterista de Jazz que leciona na Royal Academy Of Music de Londres, e Hugh Hopper, baixista que ficou conhecido por sua trajetória com o Soft Machine, diagnosticado com leucemia em junho de 2008. O guitarrista Phil Lee teve grande sucesso no Jazz principalmente durante as décadas de setenta e oitenta; em noventa iniciou o projeto Octopus com Jim Richardson (ex-If), mas, pouco tem aparecido nos últimos anos. O líder e tecladista Alan Gowen faleceu em 1981.

Por Thiago Sarkis

Sites:
Gilmour Design
Bruce Dickinson
Pig Iron (banda de Hugh Gilmour)
Informações sobre o Gilgamesh


Ações

Information

14 responses

5 01 2009
Lucas

Humilde o cara né? Puta artista de renome, foi bem sincero e nem tento enrolar nada.
Ainda bem que tem gente assim ainda… 🙂

5 01 2009
Viviane Tavares

Dá para notar que a capa do LP de 78 é um reprodução quase exata de The Ghost Of A Flea e o álbum de 1998 se utiliza da figura central mas, com algumas modificações de fundo. Grande Blake! Quem quiser ver a pintura original: http://www.chrisis.org/chr_blake/blake_images/ghost.jpg

6 01 2009
Marcelo Ferrigno

Bruce Dickinson sem nenhuma vergonha plagiando banda britânica? Cara de pau.

6 01 2009
Apollo

Um outro fato curioso é a “coincidência” que existe por trás do nome IRON MAIDEN. Acho engraçado que NINGUÉM no mundo jamais quis perguntar ao Steve se ele realmente sabia ou não, que existiu uma outra banda chamada Iron Maiden, antes dele fundar a banda. Ele explica que recebeu um telefonema em 76 em um dos primeiros shows. Nesse telefonema alguém o ameaça processá-lo por estar usando o nome iron maiden. Mas ele nunca deixou bem claro se ele sabia ou não sabia da existencia dessa banda quando ele ESCOLHEU O NOME Iron Maiden para a sua banda. Será que o Thiago Sarkis não poderia perguntar isso ao Steve quando fizer uma entrevista com ele. Po será que ninguém tem coragem de perguntar isso ao Steve???

6 01 2009
Thiago Sarkis

Oi Apollo,

o Iron Maiden tem consciência de que já existiu um Iron Maiden. O que descobri recentemente em contato com um ex-membro deste Iron Maiden dos anos setenta é que talvez tenham existido dois ou três Iron Maidens, além deste Maiden sobre o qual conversamos.

Vou apurar isso.
Abraços.

7 01 2009
Apollo

Poisé amigo Thiago, parece que existiram 2 iron maidens (um de bolton e um de essex), ambos da Inglaterra, antes do nosso querido e famoso iron maiden de Steve Harris. Mas a minha dúvida (minha e de muitos fãs), é se o Steve “plagiou” o nome de alguma dessas bandas ou se ele realmente não sabia da existência de nenhuma dessas bandas quando escolheu o nome IRON MAIDEN. Ele diz na biografia oficial que recebeu um telefonema quando fazia um dos primeiros shows. Mas antes desse telefonema, ele já sabia que tinha outro maiden??

Um grande abraço
Apollo

7 01 2009
Padro Soriano

haha eu fui num Bruce Air =D

7 01 2009
Gus 1bound

Nínguem perguntou Pedro heheheueheuehueheuehue

11 01 2009
Diego Camara

Não entendo mesmo o motivo de tanta intriga por causa de uma capa de CD que contem uma imagem que tem seus direitos vinculados a uma galeria.

Qualquer um pode utilizar esta imagem para fazer o que quiser. Um livro, uma capa de cd, um encarte, uma revista, qualquer coisa! Desde que receba autorização da detentora dos direitos da imagem.

Francamente não compreendo o motivo desta intriga. Se fosse uma imagem criada por algum artista e vinculada por contrato exclusivamente ao CD da banda Gilgamesh ok… de resto, qualquer um que quiser usar esta imagem pode usar. Estaríamos plagiando uma banda ou outra? Não… a imagem não é deles. Eles que estão copiando o artista para a representação de uma capa.

Parabéns ao Hugh Gimour. Ele francamente não deveria explicações a ninguém sobre suas artes, principalmente sobre uma que já caducou (mais de 10 anos este CD), mas mesmo assim resolveu explicar o uso desta imagem.

12 01 2009
Thiago Sarkis

Diego, há uma coincidência histórica que poucos conheciam. Nem o Hugh Gilmour sabia. Sobre o fato de ele dar explicações, é evidente que ele deve explicações por seus trabalhos, como qualquer um de nós. A maneira como ele explica a situação, sim, esta é admirável. Parabéns a ele, mesmo!

Qualquer um pode utilizar esta imagem para fazer o que quiser. Um livro, uma capa de cd, um encarte, uma revista, qualquer coisa! Desde que receba autorização da detentora dos direitos da imagem.

Exato. Foi o que esclarecemos com o Hugh Gilmour. O Gilgamesh, no entanto, não se pronunciou.

12 01 2009
Diego Camara

Mas claro que há coincidências históricas. Nosso mundo vive disto. Um dia eu estava me perguntando afinal o motivo de haver tantas invenções com mais de um criador.

Os egípcios inventaram as construções conhecidas como pirâmides, e se você reparar, o povo asteca também inventou este tipo de construção (salvas as diferenças de tamanho e estilo, em termos de arquitetura tanto as pirâmides egípcias quanto os templos astecas são consideradas construções que possuem os mesmos moldes). Afinal acredito eu estes povos nunca tiveram contato uns com os outros.
Isso aconteceu também mais recentemente com a fotografia, o avião (que ainda gera discussões até hoje) e outras invenções.

Isto é apenas um contexto. Logicamente não acho isto de todo ruim, pois qualquer tipo de curiosidade sobre a música é sempre bem vinda para aguçar a mente das pessoas. Na verdade o trabalho de vocês está de parabéns e espero que divulguem melhor este projeto.

O que realmente me deixa mal nisto tudo são alguns comentários. Parece que algumas pessoas não tem capacidade para ver que ideias podem surgir na mente de várias pessoas, e ninguém exatamente está copiando um ou outro. Estas diferenças apenas enfraquecem o Rock, e mesmo que existam dúzias de pessoas tentando levar o ritmo a um status de movimento cultural, o Rock continuará relegado apenas a um estilo musical (de grande relevância, mas nunca um movimento cultural realmente consistente).

Infelizmente um dos principais problemas do Rock e do Metal são os próprios roqueiros e metaleiros, com esta síndrome de tentar ver mal em algum artista. Os artigos são bem feitos, a idéia é legal, mas as intrigas criadas por algumas pessoas é realmente muito ruim.

13 01 2009
Thiago Sarkis

Diego, entendo o que você diz.

Quanto ao que aparece nos comentários, isso é complicado; aqui ou em qualquer site no qual nossas matérias sejam veiculadas. O que as pessoas criam a partir do que escrevemos é incontrolável.

Obrigado pelos comentários e observações.

16 01 2009
Apollo

Diego e Thiago

Realmente tem muita gente no meio do metal que coloca defeitos nos ídolos por causa de besteiras. Mas assuntos como esse da semelhança entre as capas, é um fato interessante e curioso. Ficou comprovado que o cara não sabia da existência da outra capa. Mas, se por acaso, ele tivesse plagiado, os corneteiros de plantão, iam falar horrores a respeito dele e principalmente do Bruce. Ora, eu jamais iria deixar de ser fã do Bruce e de sua carreira solo, por causa disso. A mesma coisa eu digo em relação a coinidência (ou não) de nomes envolvendo o iron maiden e as bandas com mesmo nome que tinham na inglaterra nos anos 70. Essa é uma curiosidade muuuito grande que eu tenho, em saber se o Steve sabia ou não sabia dessas outras bandas quando ele resolveu colocar esse nome na banda. Hoje com certeza ele deve saber sim, mas na época que ele fundou a banda (antes de receber o tal telefonema) ele sabia ou não sabia?? Seja lá qual a resposta, isso é apenas uma curiosidade, um fato interessante. Eu não vou deixar de ser fã do maiden se por acaso o steve copiou o nome da banda.

16 01 2009
Diego Camara

Concordo plenamente contigo, e acho interessante estas coisas.

Porém algo como isto não pode ser realmente considerado plágio. É juridicamente simples isto, até mesmo para um leigo em Direito como eu.

Somente seria um plágio se o desenho da capa do Gilgamesh tivesse sido feito única e exclusivamente para a capa do cd. A banda contrata um desenhista, paga a ele, e ele desenha a capa unindo a vontade da banda e seu toque de criatividade. Neste desenho estão impostas leis de Copyright, Creative Commons ou o que seja. Então os direitos sobre o desenho da capa seriam da banda, que compra eles do autor para exclusividade (se a banda compra o desenho, mas não compra os direitos, o autor poderia se reservar ao direito de ceder o desenho da capa para qualquer outro uso, inclusive outra capa de CD).

Mas este é um caso a parte, o desenho é uma pintura e pertence a uma famosa galeria internacional, que é detentora da obra. Eles, logo, podem ceder os direitos para quem eles desejarem, e tanto uma banda quanto a outra recebeu os direitos da obra.
Agora, você pode supor que o Iron Maiden se inspirou na capa do Gilgamesh? Pode claro. Mas francamente, acho que o pintor é muito mais famoso que o Gilgamesh, logo o caminho correto seria o inverso.

Não existe plágio, mas sim uma cópia autorizada. Se fosse plágio não seria do Gilgamesh, mas sim os dois estariam “plagiando” o pintor! hahahahahaha

O ponto que é realmente triste é como as próprias pessoas querem destruir aquilo que gostam, levantando acusações e bla bla bla, transformando uma simples curiosidade – que foi o objetivo do autor desde o início – em um confronto que visa desestabilizar os músicos. Felizmente a blogosfera brasileira ainda não tem poder para isso, principalmente na área de Música, especialmente no Metal, onde ainda não existem blogs firmes e consistentes capazes de atingir o público (a maioria deles são jovens ou atingem faixas de público muito pequenas).

Eu particularmente espero que novos projetos como este blog apareçam ou se unam e criem blogs que possam atingir uma grande faixa de público. Há uma carência muito grande de opinião nesta área, mas de opinião correta de gente ponderada, e não de críticos azedos como existem nos Portais de Rock.

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