Yngwie Malmsteen: realizações e confrontos com um personagem difícil

31 12 2008
Yngwie Malmsteen em sessão de fotos com a Roadie Crew #112

Yngwie Malmsteen em sessão de fotos com a Roadie Crew #112

No meio musical, os rumores, intrigas, às vezes pura fofoca, sobre alguns de seus mais ilustres membros, correm soltos e passam de familiares para amigos, de amigos para roadies, de roadies para empresários, de empresários para repórteres, de repórteres para fãs, de fãs para o mundo. Não necessariamente nesta ordem; aplique aí quantos vice-versas você desejar e tudo bem. O fato é que, para que estes dados não se tornem prejulgamentos, realidades equivocadas ou cismas, é essencial checá-los.

Se você, roadie, empresário, repórter, fã, mundo, já “ouviu falar” de Yngwie J. Malmsteen como uma pessoa de difícil convivência, saiba: não foi à-toa. Dono de si, contraditório, polêmico, constantemente insatisfeito e queixoso e, em certas ocasiões, extremamente agressivo e arrogante, o lendário músico é capaz de lhe oferecer amostras de tudo o que dizem por aí em três minutos de conversa ou mediante mero contato visual.


No ano de 2001, Malmsteen retornou ao Brasil para uma das turnês mais aguardadas de sua carreira, sucedendo os lançamentos de LIVE!! (1998 ) – álbum ao vivo gravado em São Paulo -, Alchemy (1999) e War To End All Wars (2000).

Os estapafúrdios desentendimentos com o vocalista norueguês Jørn Lande nas semanas anteriores, os atentados de 11 de setembro, além de problemas com o visto de sua esposa, April, para as viagens pela América Latina, colocaram o já atormentado guitarrista sueco a ponto de bala.

Admiradores foram menosprezados e membros da equipe técnica envolvida nos shows passaram por constantes aviltes, obrigados a lidar com exigências absurdas. Por fim, sobrou para a platéia, com o hino dos Estados Unidos tocado várias vezes durante a apresentação em Porto Alegre, ao que o coro “Osama, Osama, Osama” respondeu imediatamente.

Segundo relatos de várias pessoas que participaram da balbúrdia narrada acima, o escandinavo mais norte-americano do planeta não saiu surrado do continente sul-americano porque poucos, felizmente, intercederam por ele.

Anos depois, ao entrevistá-lo, questionei o porquê das sucessivas execuções de Star Spangled Banner na capital gaúcha, e Malmsteen, irritado, garantiu: “não sei por que fiz aquilo. Não importa. É passado. Não carrego isso comigo”.

Apesar do aborrecimento com algumas perguntas, ele se mostrou mais preparado para retorquir com fundamentação, deixando a usual desinteligência de lado. Meses antes, no especial de dez anos da Roadie Crew, publicado na edição #112 de maio de 2008, trezentos e trinta convidados especiais elegeram-no o terceiro guitarrista favorito dos próprios guitarristas de Classic Rock e Heavy Metal, superado apenas por Jimi Hendrix e Eddie Van Halen.

Dentre os cento e três participantes que o listaram reconhecendo sua contribuição para a música, constam: Alexi Laiho (Children Of Bodom), Kiko Loureiro (Angra), Andy LaRocque (King Diamond), Chris Broderick (Megadeth), Arjen Lucassen (Ayreon), Chris Caffery (Savatage, Trans-Siberian Orchestra), Emppu Vuorinen (Nightwish), Hank Shermann (Mercyful Fate), Eric Peterson (Testament), Herman Li (DragonForce), Jeff Loomis (Nevermore), Kai Hansen (Gamma Ray), Michael Romeo (Symphony X), Karl Logan (Manowar), Marc Rizzo (Soulfly, Cavalera Conspiracy), Michael Weikath (Helloween), Timo Tolkki (Revolution Renaissance, ex-Stratovarius), Mikael Åkerfeldt (Opeth), Paul Gilbert (Racer X, ex-Mr. Big) e Rafael Bittencourt (Angra, Bittencourt Project).

O artigo, resultado de um trabalho de nove meses, repercutiu em mídias conceituadas como as revistas Guitar Player, All Access, Vintage Guitar, e o famoso programa ‘Eddie Trunk Rocks’ difundido pela Q104.3 (WAXQ) FM, estação de rádio de Classic Rock mais popular dos Estados Unidos segundo a Arbitron (ARB – American Research Bureau).

O terceiro posto na lista redundou em informativo de imprensa e sessão de fotos preparados pela assessoria de Yngwie J. Malmsteen. O sueco, por sua vez, agradeceu aos músicos que o citaram, mas, claro, não perdeu a pose. “Fiquei lisonjeado quando soube da pesquisa. É um trabalho maravilhoso e acho que o reconhecimento a mim é devido, e minha posição, justa. Não há muito que contestar destes três primeiros colocados”, declarou.

O contraste de afabilidade e animosidade que as palavras e fotos que acompanham esta matéria provavelmente suscitam corresponde a uma realidade pouco praticada, principalmente no Brasil, onde são raros aqueles que se contrapõem a grandes ícones e personagens amados pelo público.

Roadie Crew #112

Roadie Crew #112

Em entrevistas, ao contrário do que normalmente vemos por aqui, o primeiro objetivo de um entrevistador não é – ou pelo menos não deveria ser – criar vínculos de amizade ou propinqüidade com o entrevistado. Casos como o de Malmsteen, geralmente conduzidos com a conhecida tática de tapinhas nas costas proliferada por tantos “Bem, Amigos!”, podem, efetivamente, render melhor no que condiz a informações precisas e valiosas em um ambiente de maior interpelação e enfrentamento, sem que o respeito fique pelo caminho. A confrontação é parte fundamental da ponte que liga os dois lados, não se opõe à diplomacia, tampouco impede que ambas as partes, mesmo divergindo, reconheçam o trabalho uma da outra. A prova está aí.

Por Thiago Sarkis

Sites Oficiais:
Yngwie Malmsteen: www.yngwiemalmsteen.com
Roadie Crew: www.roadiecrew.com


Ações

Information

15 responses

31 12 2008
Jaderson Policante

Grande Matéria!!!

Espero ler mais desses bastidores!!

Feliz Ano Novo pra todos !

1 01 2009
Lucas

Vai ser maravilhoso esse solada!
Continue assim Sarikis e Cia. LTDA!
Parabéns e Feliz Ano Novo à todos!

1 01 2009
Carol

Haha eu não consigo levar esse cara a sério.
Ótima matéria Thi.

Happy New Year guys.

1 01 2009
Buck

PArabéns pelo blog cara, já tá nos favoritos (é sério). continue assim…

1 01 2009
Roberto Filho

Legal esse blog ta cada vez melhor,agora o malmsteen tbm o que ele se garante, ele e de arrogante hehe.Essa entrevista com ele deve sair na edição de fevereiro?Feliz ano novo sarkis e a galera da roadie crew

1 01 2009
Tratamento ATM

Legal essa materia, parabens

Feliz Ano Novo pra todos !

Michelle

1 01 2009
André Toral

Thiago, bela matéria. Coisa de bastidores, isso é bem legal. Muita gente só escreve aquilo que todo mundo vê…pessoal especializado como você vê muita coisa restrita.

2 01 2009
franci23

Muito legal a materia,mas eu já imaginava que o Malmsteen fosse bem pior do que esta descrito!Parabens e bom ano para você!

3 01 2009
Gabiru

O Malmsteen me parece, por outro lado, uma figura de quem todos falam mal. Talvez por ser folclórico, talvez por ser um cara realmente complicado, mas ele, invariavelmente, é foco de piadas ou de exemplos de como-um-músico-não-deve-ser.

Também acredito que os brasileiros têm muita dificuldade em lidar com pessoas que realmente têm orgulho de seu trabalho e que se consideram, muitas vezes de forma objetiva, bons (ou muito bons…) naquilo que fazem. Quando o Ney Latorraca deu uma entrevista na Globo (mais irônico que o Brás Cubas, só que ninguém entendeu…) e disse que era o melhor do Brasil, clamaram pela “humildade do artista”.

Quando um jogador bate no peito depois de fazer um golaço e diz “eu sou foda!”, ninguém reclama. Quando um artista diz a mesma coisa, a galera cai matando.

Por quê? É isso que me pergunto…

Quero dizer que considero a sinceridade do Malmsteen (ele realmente acredita no que fala, mesmo quando é bobagem) melhor do que o falso bom-mocismo de 80% do mundo da música, que não ousa tecer comentários sinceros e que parece sempre um Cleber Machado narrando. Será que o viking obeso não é um dos poucos que, verdadeiramente, procuram não traçar uma relação de amizade com o entrevistador e com o veículo?
🙂

3 01 2009
Thiago Sarkis

Será que o viking obeso não é um dos poucos que, verdadeiramente, procuram não traçar uma relação de amizade com o entrevistador e com o veículo?

Resposta: É! Um dos poucos. Suas considerações são perfeitas. Concordo em gênero, número, grau. Ele, assim como os entrevistadores DEVERIAM fazer, não quer saber de amizade. Fala o que vem à mente, conseqüentemente, fala muita bobagem. Todos nós falamos, mas como ele fala tudo o que pensa, registra mais bobagens que nós. Agora, realmente, mesmo quando é asneira, ele é sincero.

3 01 2009
Luigi Parrini

Ótimo relato das possibilidades de relação entre o entrevistador e o artista. Sinto, como estudante de jornalismo e fã de heavy metal, que, muitas vezes, na mídia especializada do gênero, a entrevista é conduzida pelo lado do fã e não pela visão do profissional, o que pode prejudicar, e muito, o resultado final. Parabéns pelo profissionalismo e pelo blog que, com certeza, já está nos meus favoritos. Abraço!

5 01 2009
Mauricio "Scout" Ribeiro

Thiago

Em primeiro lugar gostaria de parabenizar quanto a execução da matéria.
Sou postmaster do Malmsteen Brasil Fan Site e colecionador de Malmsteen desde 1989 então sei muito bem o que vc quer dizer pois o Yngwie sempre foi uma pessoa difícil de lidar. Mas acredito piamente que essa personalidade complexa era causada pelas bebedeiras homéricas e o consumo de entorpecente. Isso aliado a divindade aplicada à ele ao longo da vida, tanto pelos fãs como pela imprensa, fazem com que ele realmente se tornasse o Yngwie que conhecemos.
Mas após muitos anos, nosso sueco favorito resolveu colocar a vida em primeiro plano, deixando os vícios e se tornando um pai de familia. É indiscutível como atualmente ele está disposto a dar entrevistas em rádios e imprensa. Lógico que ainda é um cara difícil, mas aos poucos ele vai melhorando e com isso também sua sensibilidade para com os fãs.
Bom, de qualquer forma, esse ano promete e ouça o que eu digo, outubro poderá ser um grande mês para nós do Brasil!!!!!
Abraços e parabéns pelo Blog!

Mauricio “Scout” Ribeiro
Postmaster Malmsteen Brazil Fan Site
http://www.malmsteenbrasil.com.br

6 01 2009
Jayminho D`Leterman

Tudo bem, acredito que falar tudo que vem a mente e tentar ser o mais sincero possivel eh uma qualidade, mas no caso de artistas como Malmsteen soa mais como um gesto de auto promocao,que para mim parece muito com o que os irmaos Gallaguer espalham aos quatro ventos, e que convenhamos: eh um cliche para lah de batido do mundo do Rock, onde o que realmente interessa eh criar situacoes polemicas para que no outro dia qualquer noticia relacionada, consiga ser menos importante do que a tal “Frase Polemica” e nao tire os holofotes de determinada banda ou artista.
Porque falar o que pensa e ser sincero , no Bussines de entretenimento,sao duas palavras que nao fazem sentido quando escritas juntas, pois o que realmente importa eh mostrar o quanto o Artista eh excentrico e estranho. E para o artista,mostrar que essa amiosidade eh o que lhe torna um “Gerador da Forca Motriz Das Suas Ideias Brilhantes”, e soh assim seus fas mais fieis poderao lhe entender.
Mas no fundo,o que eles realmente tem, eh um grande medo; o medo de parecerem pessoas normais e ordinarias aos olhos de pessoas “Comuns” e perderem a aura ou Status de semi deuses , e que eles mesmos acabaram acreditando nessa fabula ,mas que no fundo sao pessoas tao ordinarias como qualquer individuo.

8 01 2009
Zé Augusto "SpawnZ"

Grande Malmsteen… o q ele tem de habilidade na guitarra ele tem nas arrogâncias e prepotência….. ops pera lá… acho q na segunda parte ele tem mais….

HE HE HE

Abração

12 01 2009
afabilidade.net - Yngwie Malmsteen: realizações e confrontos com um personagem difícil

[…] Brasil, onde são raros aqueles que se contrapõem a grandes ícones e … Veja o post completo clicando aqui. Post indexado de: […]

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