É o Anvil, mas poderia ser qualquer um de nós

11 12 2008

Os primeiros minutos de Anvil – the Story of Anvil! dão uma errada amostra do que se está para ver. Num flashback para 1984, temos o Super Rock, um festival gigantesco no Japão em que tocaram Michael Schenker, Whitesnake, Scorpions, Bon Jovi e aparece em texto: “Todas se tornaram bandas milionárias… exceto uma” e a imagem corta para uns caras com roupas meio sadomasoquistas no palco fazendo solo de guitarra com um vibrador: este é o Anvil. O divertido início, aliado ao título do filme, traveste numa possível biografia de comédia de erros um documentário cujo maior mérito é ser de uma tocante humanidade.

Os primeiros momentos do filme tentam explicar, através de relatos de gente famosa, como Slash, Lars Ulrich e Lemmy Kilmister, os motivos que levaram ao fracasso um dos precursores do thrash metal de bandas de sucesso como Metallica, Megadeth e Slayer. Mas nem de longe é esse o fio-condutor deste documentário, dirigido por Sascha Gervasi, headbanger de carteirinha, fã de longa data da banda canadense e roteirista de “O Terminal”, blockbuster dirigido por Steven Spielberg com Tom Hanks como protagonista.

Diferentemente de Some Kind of Monster, filme em que o Metallica se deixa invadir em sua privacidade para mostrar uma banda de sucesso devastada internamente à beira do abismo graças à fraqueza de um milionário então alcóolatra e à eterna incapacidade humana de se comunicar efetivamente, Anvil! The Story of Anvil também mostra um grupo veterano de metal lutando contra a extinção, mas de uma outra forma, mais modesta. Seus membros, em meio à pobreza de seus humildes sub-empregos, encaram a morte do grupo cotidianamente e buscam algum sopro de esperança para que seu sonho sobreviva por mais um dia.

E assim o documentário entra na vida particular de Steven “Lips” Kudlow e Robb Reinner, mostrando como sua família aceita ou não a banda, como é duro o cotidiano de uma turnê européia quando não agendada lá muito profissionalmente, a dificuldade de se gravar um disco, as discussões internas de quem vê a derrota bater à porta em cada tentativa de superar os obstáculos que um mercado avesso ao heavy metal lhes impõe, a busca pelos motivos de quase nunca dar nada certo. Mas o perene sorriso no rosto de Lips é um emblema de esperança, de quem não deixa de perseguir seu objetivo, de quem se apega a cada mínima possibilidade para mantê-lo vivo e espera, na angústia de uma possível frustração ainda maior, a sua improvável redenção.

Ao longo do filme, há vários momentos típicos de This is the Spinal Tap, a divertidíssima biografia fictícia que mais esculachou o heavy metal – a tour européia de 2006 garantirá, por muito tempo, piadas para quem o assistir. Anvil! The Story of Anvil passeia por esses clichês e, algumas vezes, nos faz pensar se é real mesmo. Apesar de tal estilo de cinema pressupor a verdade nos fatos mostrados, não é essa veracidade que importa. Vale a capacidade do diretor conseguir sair de um universo estereotipado e transformar um simples relato de uma banda fracassada numa bela história de superação humana. Trata-se, enfim, de um documentário obrigatório para qualquer um, headbanger ou não. E, quem sabe, não vai ser ele quem trará a esperada redenção desses bravos canadenses?

Por Thiago “Hal” Martins


Ações

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One response

21 12 2008
Hairbanger

Filme Foda! adorei! comecei a curtir mais a banda por causa do documentario! quem curte heavy metal ou rock n’ roll em geral, mesmo sem conhecer a banda, Assista, vale muito a pena!

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